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quinta-feira, 29 de julho de 2010

O EXERCÍCIO DO AMOR


“Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele.” (1João 4,9).


Deus nos ama. Com um amor único, incomparável, indissolúvel. Por tão grande amor Enviou-nos Jesus que, sendo Deus e amando-nos como Deus nos ama, morreu na cruz por nós, resgatando-nos a dignidade de Filhos de Deus. Assim, criados à Sua imagem e semelhança, também devemos manifestar esse amor uns aos outros.

Apesar de “imagem e semelhança de Deus” somos humanos, com todos os nossos erros, nossas imperfeições; necessitados da infinita misericórdia do Senhor para permanecermos na caminhada, no ministério de música, na igreja... E permanecer não é possível se caminharmos sozinhos.

Por isso Deus nos uniu (na igreja, na comunidade, no grupo de oração, no ministério de música): para, caminhando, podermos amparar uns aos outros nas dificuldades do caminho, e exercitarmos juntos o amor, já que sendo imagem de Deus que é amor, amar é a única forma de transparecer nossa semelhança com Deus.

“Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê.” (1João 4, 20).

E amar é um exercício! Exercício que o próprio Jesus fazia constantemente com seus discípulos. Homens com características tão diferentes e que, pelo amor de Jesus para com eles, foram moldados e viveram, mesmo nas tribulações, com os olhos fixos no Senhor, com os pés firmes na caminhada.

Assim também em nossos ministérios: homens e mulheres com características totalmente diferentes; mas se, como Jesus, exercitarmos o amor uns para com os outros, o Senhor nos moldará e nos permitirá seguir rumo à santidade, rumo ao céu, com nosso olhar fixo e nossos pés firmes.

Quantos de nossos irmãos desistiram, ficaram pelo caminho, talvez nunca mais se encontrem com o Senhor só porque não se sentiram amados!

Nosso amor pelo irmão pode livrá-lo da morte!Marta, irmã de Lázaro, disse à Jesus, por ocasião da morte de seu irmão: “Senhor, se tivesses estado aqui meu irmão não teria morrido”(Jo 11, 22).

Que fé! Que amor! A certeza de que a presença do Senhor na vida de quem amamos é suficiente para se viver!

Amando, somos capazes de compreender, aceitar, amparar o outro. Pelo amor possibilitamos ao irmão uma experiência concreta do Senhor, do amor do Senhor, do cuidado de Deus. Sentindo-nos amados exercitamos nossa fé: sem ter visto o Senhor acreditamos, por que o irmão nos ama, que Deus nos ama. E quem crê não morre jamais!

É o próprio Jesus que nos diz:

“[...] Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais.[...]” e nos questiona: “Crês nisto?” (Jo 11, 25-26)

EU CREIO!
 
Leonardo Loddani - Ministério Vaso Novo

segunda-feira, 26 de julho de 2010

NOS DESÍGNIOS DE DEUS ESTÁ A SUA FELICIDADE

As pessoas até podem nos deixar sem resposta, mas o céu não. É fundamental para nossa caminhada rumo à nossa salvação, todos os dias, colocarmo-nos diante do Senhor e perguntar-Lhe: “Senhor, o que tens para mim neste dia? O que queres de mim neste dia?”

A cada dia que se inicia, o Senhor tem um desígnio de misericórdia para mim e para você; precisamos conhecê-lo. “Só tu és Santo! Todas as nações virão prostrar-se diante de Ti, porque tuas justas decisões se tornaram manifestas” (Ap 15,4b).

Mesmo que as dificuldades sejam contínuas, nós não podemos questionar a vontade divina. O melhor a fazer é sempre nos abandonar em Deus. Não se trata de ser acomodado ou alienado, é preciso fazer a nossa parte, sermos ativos, orantes, trabalhadores e fraternos. Fazendo o que é do nosso dever, dirijamo-nos ao Pai do Céu que realiza muito mais do que podemos esperar. Acredite que somente no
Senhor está a sua felicidade.

Quem faz a experiência de deixar-se conduzir pela vontade divina jamais se sente vazio ou infeliz. Peçamos ao Senhor que nos mostre Seus desígnios para a nossa vida.

Jesus, eu confio em Vós!

Luzia Santiago (Comunidade Canção Nova)

Fonte: http://luziasantiago.com/index.php/nos-designios-de-deus-esta-sua-felicidade/

quinta-feira, 22 de julho de 2010

PARA RECONHECER O SENHOR, É PRECISO CONHECÊ-LO

Por diversas vezes o Senhor está presente em nossa vida e não o reconhecemos... como Maria Madalena que, à entrada do túmulo de Jesus, chorava por não tê-lo encontrado, e mesmo quando o próprio Jesus, Ressuscitado, lhe fala ela tarda a reconhecê-lo. (cf. João 20, 11-16)


Deixamo-nos envolver com as adversidades do dia a dia, sufocados por prazos, por atividades, por dinheiro, esmagados por acreditar que somos humanamente capazes de suportar o peso que o mundo nos impõe.

Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.” (Mt 11, 28)

Nos esquecemos das promessas do Senhor para nós e insistimos em nem sequer querer ouvir Sua voz, Sua Santa vontade; temos nossa atenção constantemente desviada para não percebermos a ação de Deus, e, distraídos, seguimos no impulso de fazer nossa própria vontade.

“Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jô 15, 4-5)


Não podemos achar que porque não vemos Deus agir em nossa vida Ele não está agindo.

“Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor;”(Is 55, 8).

Para RECONHECER é preciso antes CONHECER.

Só seremos capazes de perceber a mão de Deus sobre nós se tivermos intimidade com Ele, se o buscarmos incessantemente.

“Buscai o Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto.” (Is 55, 6).

Conhecendo o Senhor, reconheceremos Sua voz a nos guiar; sentiremos sua mão aliviando o peso da cruz em nossos ombros.

“Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.” (Mt 11, 30).

Antes de sermos ministros de música, antes de sermos servos, somos FILHOS: e todo filho precisa ter intimidade com o PAI.



Leonardo Loddani - Ministério Vaso Novo

terça-feira, 26 de agosto de 2008

MULHER, COMBATA PELA SUA FAMÍLIA!

Estamos findando o mês das vocações. Vocação é chamado de Deus e deve ser respondido livremente por cada um.

Nos dias de hoje todos concordam que a vocação à vida matrimonial tem sido de certo modo degenerada pela proposta mundana da ausência de comprometimento, ou pela cultura da descartabilidade. Estas realidades são uma expressão concreta do agir do demônio em nossos dias, quem desejoso de destruir a humanidade volta-se de modo certeiro contra a família.

É inegável que a mulher tem importante papel no Plano de Deus para as famílias e diante desta realidade deve assumir não uma atitude conformista ou inerte, mas deve COMBATER ativamente as artimanhas do inimigo de Deus.

Todos sabemos que vivemos um combate contra o poder das trevas, um combate espiritual que somente pode ser vencido com armas espirituais. Se nós mulheres não combetermos este combate, serão nossos filhos, nossas famílias e nossas realidades pessoais que estaremos perdendo para o inimigo.

O mundo jaz sob o poder do maligno. É o que nos ensina a Igreja com base nas Escrituras: “ CIC - §409 Esta situação dramática do mundo, que "inteiro está sob o poder do Maligno" (1Jo 5,19), faz da vida do homem um combate: Uma luta árdua contra o poder das trevas perpassa a história universal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve lutar sempre para aderir ao bem; não consegue alcançar a unidade interior senão com grandes labutas e o auxílio da graça de Deus.”

E qual o papel da mulher neste combate? Se observarmos a origem do pecado, vemos que foi a mulher quem efetivamente foi seduzida pela serpente e ofereceu o fruto proibido ao homem: "A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente". (Gn 3,6)
Pode-se dizer que depois da queda (de Adão e Eva) o homem e a mulher receberam missões diferentes. Diz-se que o homem recebeu o mundo visível através do trabalho, o domínio da terra, o domínio da sociedade e que a mulher recebeu o combate no mundo invisível, que é o combate espiritual, o combate contra a serpente, quer dizer, contra as forças demoníacas: "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.”" (Gn 3,15)
É certo que o magistério da Igreja sempre viu nesta mulher a figura de Maria, mas podemos dizer que toda a mulher da face da terra é chamada a não imitar Eva, mas a imitar Maria, quem ao invés de oferecer ao homem a desobediência, oferece a bênção da obediência a Deus, e a árvore da vida que é verdadeiramente a cruz de Jesus.
Assim, a mulher tem uma missão espiritual muito importante, que é escolher entre o bem e o mal. Através de seu papel na educação (das crianças e dos jovens), na condução da vida matrimonial, na sua participação na Igreja, a mulher contribui para mudar a sociedade, fazer os homens e as mulheres do futuro.
Então a missão da mulher é essencial! É preciso que você mulher tome consciência da importância dessa missão, que é uma missão mais escondida, porque ela se refere ao mundo invisível.
As escrituras nos mostram a figura de Judite, uma mulher, que se viu diante de um combate, e de seu exemplo bíblico tiraremos algumas realidades concretas para nosso próprio combate:

a) Cenário histórico – Capítulos 1 e 2. O cenário deste livro é a conquista de um rei assírio chamado Nabucodonosor. Este já havia vencido os Medos e agora queria dominar toda a região onde o povo judeu vivia. Os Judeus e outros povos porém resistiam, e Nabucodonosor resolveu vingar-se pois aquele povo se negou a entregar-se.

Jd 2:1-6 - “1. No décimo terceiro ano do rei Nabucodonosor, no vigésimo segundo dia do primeiro mês, foi tomada na casa de Nabucodonosor, rei dos assírios, a decisão de que ele se vingaria.2. Convocou todos os anciãos, todos os seus chefes e guerreiros, e teve com eles um conselho secreto, no qual 3. revelou-lhes o seu desígnio de submeter toda a terra ao seu império. 4. Tendo a sua proposta agradado à assembléia, o rei Nabucodonosor ordenou a Holofernes, marechal do seu exército, 5. dizendo: Vai contra todos os reinos do ocidente, principalmente contra aqueles que desprezaram a minha ordem. 6. Ferirás a todos sem consideração alguma e me sujeitarás todas as fortalezas”

Nabucodonosor encolerizado destruiu os povos vizinhos e quis se auto-proclamar deus:

Jd 3,13 –“ Pois Nabucodonosor havia-lhe ordenado que exterminasse todos os deuses da terra, para que só ele fosse chamado deus por todas as nações que lhe conquistasse o poder de Holofernes.”

Os judeus se atemorizaram, permaneceram por um tempo resistindo, mas quando a ameaça chegou à cidade de Betúlia, o povo foi pedir ao rei Osias que se entregassem. O rei disse:

Jd 7, 23–25 – “23. Ozias levantou-se então banhado em lágrimas: Coragem, meus irmãos! - disse ele.- Esperemos (ainda) cinco dias a misericórdia do Senhor. 24. Talvez se aplaque a sua cólera e dê glória ao seu nome. 25. Entretanto, se depois de cinco dias não nos chegar socorro algum, faremos o que propusestes.”

b) Quem era Judite – O perfil da mulher combatente.

Jd 8, 1- 8 – “1. Ora, tudo isso chegou aos ouvidos de Judite, viúva, filha de Merari, filho de Idox, filho de José, filho de Ozias, filho de Elai, filho de Jamnor, filho de Gedeão, filho de Rafaim, filho de Aquitob, filho de Melquias, filho de Enã, filho de Natanias, filho de Salatiel, filho de Simeão, filho de Rubem. 2. Seu marido chamava-se Manassés, e morrera no tempo da colheita da cevada, 3. ferido de insolação quando fiscalizava os ceifadores que ligavam os feixes no campo; ele morrera em Betúlia, sua cidade, e fora enterrado com seus pais. 4. Judite ficara viúva havia três anos e meio. 5. Ela tinha feito no andar superior de sua casa um quarto reservado para si, no qual se conservava retirada com suas criadas. 6. Trazia um cilício sobre os rins e jejuava todos os dias, exceto nos sábados, nas luas novas e nas festas do povo israelita. 7. Era extremamente bela, e seu marido tinha-lhe deixado grandes riquezas, numerosos criados e domínios cheios de rebanhos de bois e de ovelhas.8. Era muito estimada por todos porque tinha grande temor a Deus; não havia ninguém que falasse mal a seu respeito.”

1- Era viúva, mas não fragilizada - Não é verdade que sempre que nos vemos numa situação desfavorável, logo nos vitimizamos, coitadinhas de nós, tão frágeis... Judite não...

2- Mortificava-se e jejuava - O mundo hoje é totalmente voltado ao prazer dos sentidos.

3- Embora extremamente bela e rica, ela era estimada não por sua beleza ou riqueza, mas porque tinha grande temor a Deus - Ah a vaidade feminina... Temos que desejar sermos reconhecidas não pela nossa beleza e acessórios, mas pelo temor que temos Deus.

4- Não havia ninguém que falasse mal a seu respeito - Temos de ser exemplo para aqueles que estão a nossa volta. Temos de ser MULHERES VIRTUOSAS, COMO A BÍBLIA DIZ.

Pr 31,10 - "Uma mulher virtuosa, quem pode encontrá-la? Superior ao das pérolas é o seu valor".

Eclo 7,21 - "Não te afastes da mulher sensata e virtuosa que te foi concedida no temor do Senhor; pois a graça de sua modéstia vale mais do que o ouro".

5- É preciso ser totalmente de Deus = Num exército, o soldado se dispõe a ouvir a ordem de seu general. Não dá pra fazer mais a vontade do mundo sem desagradar o Senhor...

2 Tm 3-4 - "Suporta comigo os trabalhos, como bom soldado de Jesus Cristo. Nenhum soldado pode implicar-se em negócios da vida civil, se quer agradar ao que o alistou".

E QUAL DEVE SER A ESTRATÉGIA DE COMBATE DA MULHER?

I- DECIDIR: RENDER-SE OU LUTAR?

Jd 8:9-27 – “9. Sabendo, pois, que Ozias tinha prometido entregar a cidade dentro de cinco dias, mandou alguém chamar os anciãos Cabri e Carmi, 10. e estes vieram ter com ela. Ela disse-lhes: Como é possível que Ozias tenha consentido em entregar a cidade aos assírios dentro de cinco dias, se não nos chegar socorro? 11. Quem sois vós para provocar o Senhor? 12. Não é esse o meio de atrair a sua misericórdia, mas antes o de excitar a sua cólera e acender o seu furor 13. Vós impusestes ao Senhor um prazo para exercer a sua misericórdia e fixastes-lhe um dia ao vosso arbítrio! 14. Mas o Senhor é paciente; façamos, pois, penitência por isso e peçamos-lhe perdão com lágrimas nos olhos, 15. pois Deus não ameaça como os homens e não se deixa arrastar como eles à violência da cólera. 16. Humilhemo-nos diante dele e prestemos-lhe nosso culto com espírito de humildade. 17. Roguemos ao Senhor com lágrimas que nos conceda a sua misericórdia como lhe aprouver, para que, assim como se perturbou o nosso coração com o orgulho de nossos inimigos, do mesmo modo encontremos glória em nossa humilhação. 18. Nós não imitamos os pecados de nossos pais, abandonando Deus para adorar divindades estranhas. 19. Por esse crime foram entregues à espada, à pilhagem e ao desprezo de seus inimigos; nós, porém, não admitimos outro Deus fora dele. 20. Esperamos com humildade a sua consolação e ele vingará o nosso sangue dos males que nos causam nossos inimigos. Ele humilhará toda nação que se levantar contra nós; o Senhor nosso Deus cobri-las-á de vergonha. 21. Agora, meus Irmãos, já que sois os anciãos do povo de Deus, e que sua vida depende de vós, reanimai os seus corações com vossas palavras, para que eles se lembrem de que nossos pais foram tentados a fim de que se verificasse se eles serviam verdadeiramente ao seu Deus. 22. Que eles se lembrem de como nosso pai Abraão foi provado e de como passou por múltiplas tribulações para se tornar o amigo de Deus. 23. Assim Isaac, assim Jacó, assim Moisés, e todos os que agradaram a Deus permaneceram fiéis apesar das muitas tribulações. 24. Aqueles, porém, que não aceitaram essas provações no temor ao Senhor e se impacientaram, murmurando contra ele, 25. foram feridos pelo Exterminador e pereceram pelas serpentes. 26. Por isso não nos irritemos por causa do que sofremos. 27. Consideremos que esses tormentos são menos graves que nossos pecados, e que esses flagelos com que o Senhor nos castiga, como escravos, foram-nos mandados para a nossa emenda, e não para a nossa perdição.”

Quando soube da intenção de rendição, Judite não se conformou. Confiava na misericórdia de Deus que sempre combateu pelo seu povo, confiava que Deus haveria de intervir. ELA DECIDIU NÃO SE RENDER... E VOCÊ?

Olhe para dentro da sua vida, da sua casa, do seu casamento. Certamente o inimigo de Deus tem buscado invadir sua realidade de vida... Você vai se render? Ou você vai combater?

II – ASSUMIR PARA SI O COMBATE:

Jd 8:28-34 – “28. Ozias e os anciãos responderam-lhe: Tudo o que disseste é verdade; nada há repreensível nas tuas palavras. 29. Roga, pois, a Deus por nós, porque és uma mulher santa e piedosa. 30. Judite respondeu-lhes: Se reconheceis que o que eu vos disse vem de Deus, 31. examinai se vem igualmente dele o que eu resolvi fazer, e orai para que Deus me ajude a realizar o meu desígnio. 32. Ficai esta noite à porta, e eu sairei com minha criada. Orai então para que, como vós o dissestes, o Senhor olhe para o seu povo de Israel dentro de cinco dias. 33. Mas não quero que procureis saber o que eu vou fazer; enquanto eu mesma não voltar para vos avisar, não se faça outra coisa que rogar por mim ao Senhor nosso Deus. 34. Ozias, o príncipe de Judá, respondeu-lhe: Vai em paz, e que o Senhor te ajude a tomar a vingança de nossos inimigos. E retiraram-se.”

Judite assumiu para si a responsabilidade. Ela decidiu que ia combater que ia fazer alguma coisa. Somos tentadas a não assumir a responsabilidade do combate, a colocar tudo nos ombros do esposo, dos pais, dos filhos, como Eva:

Gn 3,13 - "O Senhor Deus disse à mulher: Porque fizeste isso?” “A serpente enganou-me,– respondeu ela – e eu comi.”"

Quer vencer? Assuma o combate.

Precisamos ouvir o clamor da Palavra de Deus:

Fl 1,30 - "Sustentais o mesmo combate que me tendes visto travar e no qual sabeis que eu continuo agora".

III – IDENTIFICAR O INIMIGO:

Uma guerra pode ser perdida por lutarmos contra o inimigo errado. Nos cansamos e não destruímos aquele inimigo que precisa ser destruído.

Judite sabia que não tinha de se voltar contra Osias e os anciãos do povo de Israel, mas contra o marechal Holofernes, enviado de Nabucodonosor. Não adiantava ela desprezar Osias e ou o humilhar. Ela tinha de combater o verdadeiro inimigo: os assírios.

E você contra tem combatido? A quem você tem buscado derrubar? Seu esposo que bebe? Seu filho que desobedece seus conselhos? Sua mãe ou seu pai que tem lhe decepcionado?

A palavra de Deus nos revela quem é verdadeiramente o inimigo contra quem temos de lutar:

Ef 6,12 - "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares".

IV – IDENTIFICAR AS ESTRATÉGIAS E O OBJETIVO DO INIMIGO:

Judite conhecia os planos de Holofernes. Sabia como e quando ele iria atacar o povo. Isso a ajudou a decidir como agir, como faria para combatê-lo.

Você precisa saber como o inimigo atua:

a) O demônio não detém uma estratégia leal ele age covarde e sorrateiramente:

Gn 3,1 - "A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”

Jesus compara sua atuação como a de um ladrão:

Jo 10,1 - "Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador".

E como um ladrão age senão ardilosamente, às escondidas.

b) Seu objetivo é matar, roubar e destruir:

Jo 10,10 - "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir.”

c) Sua estratégia é esperar nossa “distração” para atacar:

1 Pd 5,8 - "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar”

V- ESCOLHER AS ARMAS:

Judite aproximou-se de seu inimigo, após se preparar devidamente:

Jd 10, 1- 5 – “1. Quando acabou de orar ao Senhor, levantou-se do lugar onde estava prostrada diante do Senhor. 2. Chamou a sua criada, desceu à sua casa, tirou o cilício e despiu suas vestes de viúva. 3. Lavou-se, ungiu-se de mirra preciosa, arranjou o cabelo e pôs um diadema. Vestiu-se como para uma festa, calçou as sandálias, pôs os braceletes, o colar, os brincos, os anéis e todos os seus enfeites. 4. O Senhor aumentou-lhe a beleza, porque tudo aquilo procedia, não de uma paixão má, mas de sua virtude; por isso o Senhor deu-lhe uma tal formosura, que apareceu aos olhos de todos com um encanto incomparável. 5. Fez que sua criada levasse um odre de vinho, uma garrafa de óleo, grãos torrados, figos secos, pão e queijo, e partiu.”

Em nosso combate, precisamos agir com sabedoria.... Precisamos nos preparar, nos vestir para ele.

COMBATE É ESPIRITUAL, INIMIGO É ESPIRITUAL E AS ARMAS? As armas devem ser também ESPIRITUAIS!!! Temos de nos vestir, nos embelezar espiritualmente!!!

Ef 6,10-18 – “ 10. Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. 11. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. 12. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. 13. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. 14. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, 15. e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.16. Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. 17. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. 18. Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.”

Ao escrever este trecho, São Paulo tinha em mente as vestimentas dos soldados romanos. O apóstolo estava preso em Roma, tendo consigo a companhia constante de um soldado. Seus leitores, da mesma forma, estavam habituados com a presença militar e conheciam bem suas roupas, equipamentos e armas.

Estas são as nossas armas:

a) Cintura cingida da verdade - Como podemos nos cingir com a verdade? Falando e vivendo a verdade.

Ef 4,25 – “ Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros.”

Não podemos esquecer que o demônio é o pai de toda mentira:

Jo 8,44 - "Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira".

A verdade é uma pessoa, o próprio Jesus:

Jo 14, 6 - "Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim".

Conhecê-la é encontrar LIBERTAÇÃO:

Jo 8,32 - "conhecereis a verdade e a verdade vos livrará".

Praticar a verdade é encontra-se com Deus:

Jo 3,21 - "Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus".

b) Corpo vestido com a couraça da justiça – Não raro flagramos a nós mesmos falando para nossos filhos agir de um jeito, mas vivemos de outro. Fazemos gato na luz, no sinal da TV à cabo, ignoramos as leis de trânsito...

Mas não é a justiça significando cumprimento da lei que agrada a Deus, mas a justiça fundamentada no amor:

Mt 5,20 - "Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus".

c) Prontidão para anunciar o Evangelho -

"Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16)

Anunciar com a vida, não somente com palavras.

d) Escudo da fé e capacete da salvação – É preciso crer e mudar de vida para ser vencedor do maligno. A salvação vem da nossa fé e de nossas obras, nossas atitudes.

Os atos dos apóstolos contam um fato interessante de quem queria combater o demônio sem retidão no coração:

At 19, 13-17 “13. Alguns judeus exorcistas que percorriam vários lugares inventaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que se achavam possessos dos espíritos malignos, com as palavras: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. 14. Assim procediam os sete filhos de um judeu chamado Cevas, sumo sacerdote. 15. Mas o espírito maligno replicou-lhes: Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois? 16. Nisto o homem possuído do espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois deles e subjugou-os de tal maneira, que tiveram que fugir daquela casa feridos e com as roupas estraçalhadas. 17. Este caso tornou-se (em breve) conhecido de todos os judeus e gregos de Éfeso, e encheu-os de temor e engrandeceram o nome do Senhor Jesus.”

e) Espada do Espírito = Palavra de Deus – Para nós católicos a revelação está nas Escrituras, na Tradição e no Magistério.

"Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração". (Hb 4,12)

f) Intensificai vossas orações e súplicas – Vamos voltar para Judite. Antes de assumir para si o combate, Judite orou:

Jd 9:1-18 – “1. Tendo eles partido, Judite entrou em seu oratório, pôs o seu cilício, cobriu a cabeça com cinzas e, prostrando-se diante do Senhor, orou dizendo: 2. Senhor, Deus de meu pai Simeão, que lhe destes a espada para se vingar dos estrangeiros que, arrastados pela paixão, violaram uma virgem, descobrindo-lhe vergonhosamente a nudez; 3. que entregastes suas mulheres à rapina, suas filhas ao cativeiro, e todos os seus despojos em partilha aos vossos servos que ardiam de zelo ao vosso serviço, vinde, eu vos peço, ó Senhor meu Deus, e socorrei esta viúva. 4. Vós dispusestes os acontecimentos do passado, determinastes que uns sucedessem a outros, e nada aconteceu sem que vós o quisésseis. 5. Todos os vossos caminhos são previamente escolhidos, e os vossos juízos são marcados por vossa providência. 6. Olhai agora para o acampamento dos assírios, como vos dignastes outrora olhar para o dos egípcios, quando corriam armados atrás dos vossos servos, fiando-se nos seus carros, nos. seus cavaleiros e na multidão dos seus combatentes. 7. Bastou um vosso olhar sobre o seu acampamento para paralisá-los nas trevas. 8. O abismo reteve os seus pés, e as águas submergiram-nos. 9. Senhor, que o mesmo aconteça a estes que confiam no seu número, nos seus carros, nos seus dardos, nos seus escudos, nas suas flechas, e que são orgulhosos de suas lanças. 10. Eles ignoram que vós sóis o nosso Deus, vós que desde todo o tempo sabeis deter as guerras, e que vosso nome é o Senhor. 11. Levantai o vosso braço como nos tempos antigos e quebrai o seu poder com a vossa força; caia diante de vossa cólera o poder daqueles que prometeram a si próprios violar o vosso santuário, profanar o tabernáculo de vosso nome e derrubar com um golpe de espada os cornos de vosso altar. 12. Fazei, Senhor, que o orgulho desse homem seja cortado com sua própria espada; 13. seja ele preso no laço de seus olhos fixos em mim; e feri-o com as doces palavras de meus lábios. 14. Dai firmeza ao meu coração para o desprezar, e coragem para o abater. 15. Isso será para o vosso nome uma glória digna de memória, tendo-o derrubado a mão de uma mulher. 16. Não é na multidão, Senhor, que está o vosso poder, nem vos comprazeis na força dos cavalos; os soberbos nunca vos agradaram, mas sempre vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes. 17. Deus do céu, criador das águas e senhor de toda a criação, ouvi uma pobre suplicante que só confia em vossa misericórdia. 18. Lembrai-vos, Senhor, de vossa promessa; inspirai as palavras de minha boca e dai firmeza à resolução de meu coração, para que a vossa casa vos permaneça (para sempre) consagrada e que todos os povos reconheçam que só vós sois Deus e que não há outro fora de vós.

Você quer vencer o inimigo? Deve construir uma vida de oração: comunitária - Santa Missa, Grupo de Oração etc., mas pessoal.

É a Santa Igreja quem nos ensina:
CIC - §2725 A oração é um dom da graça e uma resposta decidida de nossa parte. Supõe sempre um esforço. Os grandes orantes da Antiga Aliança antes de Cristo, como também a Mãe de Deus e os santos com Ele, nos ensinam: a oração é um combate. Contra quem? Contra nós mesmos e contra os embustes do Tentador, que tudo faz para desviar o homem da oração, da união com seu Deus. Reza-se como se vive, porque se vive como se reza. Se não quisermos habitualmente agir segundo o Espírito de Cristo, também não poderemos habitualmente rezar em seu Nome. O
Toda a oração é essencial neste combate, principalmente o LOUVOR e a ADORAÇÃO.
VI – ESCOLHER A ESTRATÉGIA:
Antes de agir, Judite traçou uma estratégia. Ela não agiu impulsivamente, tinha um plano traçado. Pensou o que ia vestir, o que ia dizer etc.
Para combater é preciso uma estratégia. São Paulo nos ensina:
1 Cor 9,26 - "Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar".
A estratégia da mulher cristã é seguir os passos de Jesus:

Mc 8,34 - "Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me".

a) Renunciar a si mesmo – Lembremos que muitas vezes o nosso inimigo é nossa carne, nossa vontade, nosso orgulho.

b) Tomar a cruz – A cruz é realidade na vida da mulher cristã. O sofrimento nos une a Cristo, não podemos disperdiçar nada.

c) Seguir Jesus – Seguir seus ensinamentos.

NÃO SE ESQUEÇA: A VITÓRIA É CERTA!!!

A Bíblia nos conta que Judite persuadiu os assistentes do marechal para que lhe permitisse aproximar-se dele. Conversou com ele e este se apaixonou por ela permitindo que ficasse entre seus tesouros:
Jd 12, 10 -20 – “ 10. No quarto dia, Holofernes deu um banquete aos seus oficiais. E disse a Vagao, seu eunuco: Vê se persuades a essa judia que consinta espontaneamente em tornar-se minha concubina. 11. (Entre os assírios era coisa vergonhosa que uma mulher zombasse de um homem, retirando-se sem se ter dado a ele.) 12. Vagao foi ter com Judite e disse-lhe: Não tema a boa jovem entrar à presença de meu senhor; ser-lhe-ia uma honra comer em sua companhia e beber vinho alegremente. 13. Quem sou eu, respondeu ela, para opor-me ao meu senhor? 14. Farei tudo o que parecer bom e melhor aos seus olhos; o que mais lhe agradar, isso será também para mim o melhor durante toda a minha vida. 15. Ela levantou-se e, trajada com requinte, apresentou-se diante dele. 16. O coração de Holofernes agitou-se, porque ardia de paixão por ela. 17. Come e bebe alegremente, disse-lhe ele, pois encontraste graça aos meus olhos. 18. Ao que respondeu Judite: Eu beberei, senhor, porque nunca em minha vida me senti tão engrandecida como hoje. 19. Mas ela tomou e comeu do que a sua serva lhe tinha preparado, e bebeu com ele. 20. Holofernes alegrou-se grandemente por tê-la junto dele, e bebeu vinho como nunca tinha bebido.”
E Judite pôde matar o inimigo:
Jd 13, 1- 10 – “1. Anoiteceu. Os oficiais apressaram-se em voltar aos seus aposentos. Vagao fechou as portas do quarto e foi-se. 2. Estavam todos embriagados pelo vinho. 3. Judite ficou só no seu quarto, 4. enquanto Holofernes repousava em seu leito, bêbedo a cair. 5. Judite havia dito à sua serva que ficasse fora, diante do quarto, vigiando. 6. De pé ao lado do leito, movendo em silêncio os lábios, ela orou com lágrimas a Deus, dizendo: 7. Senhor, Deus de Israel, dai-me força. Olhai agora o que vão fazer minhas mãos, a fim de que, segundo a vossa promessa, levanteis a vossa cidade de Jerusalém, e eu realize o que acreditei ser possível graças a vós. 8. Dizendo isto, aproximou-se da coluna que estava à cabeceira do leito e tomou a espada que ali estava pendurada; 9. desembainhou-a e, tomando os cabelos de Holofernes, disse: Senhor, dai-me força neste momento! 10. Feriu-o duas vezes na nuca e decepou-lhe a cabeça. Desprendeu em seguida o cortinado das colunas, e rolou por terra o corpo mutilado.”
Diante desta narrativa é preciso enfatizar:

a) A partir do combate de Judite, a vitória do povo se deu:
Jd 15, 1-4 - “1. Quando todo o exército soube que Holofernes tinha sido decapitado, perderam a razão e o conselho. Agitados pelo espanto e pelo terror, buscaram a salvação na fuga. 2. Sem trocar uma palavra sequer com o seu vizinho, com a cabeça baixa, deixando tudo, fugiram pelas planícies e pelos montes, procurando escapar aos hebreus, pois ouviam que vinham armados sobre eles. 3. Os israelitas, vendo-os fugir, perseguiram-nos. Desceram as encostas atrás deles tocando a trombeta e soltando grandes gritos. 4. E como os assírios iam fugindo desordenadamente, os israelitas que os perseguiam juntos, formados em batalhão, destroçavam todos os que podiam atingir.”
Se você combater, seu casamento vai vencer, seu marido vai vencer, seu filho vai vencer...

b) A vitória é no Senhor e do Senhor:

Judite reconheceu que a vitória era do Senhor:
Jd 16, 10-12 – “10. Os persas tremeram de ver tamanha valentia, os medos se acovardaram perante sua audácia. 11. Então, os humildes gritaram, e eles tremeram espavoridos, os fracos (do meu povo) clamaram, e eles foram tomados de espanto; ao estrépito das vozes, deitaram a fugir. 12. Filhos de jovens mães os transpassaram e, como a meninos fugitivos, os feriram: ei-los derrotados na batalha de meu Senhor!”
É como nos diz São Paulo:

"Mas graças sejam dadas a Deus, que nos concede sempre triunfar em Cristo, e que por nosso meio difunde o perfume do seu conhecimento em todo lugar". (2Cor 2,14)

"Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz". (Cl 2,15)

c) Nele somos mais do que vencedores:

"Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou". (Rm 8,37)

Que todas nós possamos dizer ao final:

"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé". (2Tm 4,7)

Para concluir, ore a Deus louvando-o por ser mulher, por ter sido escolhida para este combate pelos seus. E se o inimigo tentar abatê-la, repita:

"Os vossos arados, transformai-os em espadas,e as vossas foices, em lanças! Mesmo o enfermo diga: Eu sou guerreiro!" (Jl 4,10)

Silvia Paula Monteiro da Costa
Ministério Vaso Novo

segunda-feira, 9 de junho de 2008

AMOR QUE JORRA DO CORAÇÃO DE JESUS



1. ONDE ESTÁ A GRATUIDADE?

Se você observar atentamente ao seu redor vai perceber que vivemos num mundo em que tudo é cobrado. Por tudo é necessário PAGAR(comer, vestir, morar etc.).

Dentro desta perspectiva, estamos desabituados com a gratuidade e trazemos isto para nossas relações pessoais. Ex.: Uma jovem arruma a casa toda, seu quarto e deixa tudo em perfeita ordem. Sua mãe logo lhe pergunta: “-Filha, fala logo o que você quer” ou um amigo que faz um favor para o outro e lhe diz: “- Ei você está me devendo esta...”.

Podemos querer trazer esta visão também para o nosso relacionamento com Deus e talvez por isso eu e você podemos ter alguma dificuldade para compreender a natureza de Deus e o amor que Ele tem pela sua pessoa: Amor individual, eterno, sem medida e gratuito.

2. JESUS, AMOR ENCARNADO DE DEUS:

Havia um pobre maquinista viúvo que morava com seu único filho à margem da estrada de ferro. Além de cuidar de seu filho, tudo o que lhe sobrou de sua família, cuidava da manutenção do local, e operava uma alavanca para que na bifurcação próxima à sua casa o trem pudesse seguir por uma das duas linhas da bifurcação. Um dia, seu filho pequeno brincava em cima da linha do trem, mas o maquinista não deu atenção, já que o menino estava brincando sobre a linha em que o trem não deveria passar. O trem se aproximou muito rapidamente, e somente a poucos metros da bifurcação o maquinista percebeu que na linha que o trem deveria passar algumas vacas ficaram sobre a linha. Se o trem batesse nas vacas, descarrelharia, matando as mais de 100 pessoas nos seus vagões. Não dava tempo para nada. O homem precisava decidir em poucos segundos se puxava a alavanca e fazia com que o trem passasse por cima de seu filho ou deixava o trem seguir, o que seria morte certa para aquelas pessoas. O que você escolheria? Deus escolheu salvar o trem.

É assim que a Palavra de Deus nos apresenta o amor Dele por você. Matando seu filho único. E fez isto gratuitamente:

“ Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. 10. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. (1 Jo 4,9-10).

A compreensão deste amor é tão importante que a primeira encíclica do Papa Bento XVI chama-se Deus é amor. Nela o Papa nos diz que Jesus é de fato o amor encarnado do Pai e nos convida a olhar para o coração transpassado de Jesus:

“O olhar fixo no lado trespassado de Cristo, de que fala João (cf. 19, 37), compreende o que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: « Deus é amor » (1 Jo 4, 8). É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar.” (DCE, 12)

A Igreja neste mês de junho faz com que nos debrucemos sobre o Coração de Jesus, que pulsa de amor por cada um de nós.

Já no Antigo Testamento encontramos inúmeras passagens que se referem ao Coração de Deus, que se compadece dos homens: Ex.: "O Senhor respirou um agradável odor, e disse em seu coração: “Doravante, não mais amaldiçoarei a terra por causa do homem porque os pensamentos do seu coração são maus desde a sua juventude, e não ferirei mais todos os seres vivos, como o fiz". (Gn 8,21) ou "Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou trair-te, ó Israel? Como poderia eu tratar-te como Adama, ou tornar-te como Seboim? Meu coração se revolve dentro de mim, eu me comovo de dó e compaixão". (Os 11,8).

Mas a raiz do culto que conhecemos ao Sagrado Coração de Jesus está no Novo Testamento, mais precisamente no Evangelho de São João:

“31. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. 32. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. 33. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, 34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. 35. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. 36. Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46). 37. E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).” (Jo 19, 31-37)

A Igreja sempre apontou o coração aberto de Jesus como o lugar onde encontramos repouso e proteção. Hoje, é a imagem do coração de Jesus que vai nos guiar para descobrirmos como Deus escolher nos amar e o que isto implica em nossas vidas:

a) O coração de Jesus está aberto - amor que se esvazia:

- Jesus é Deus e se despiu de toda a divindade. Se esvaziou. Ele deu todo o seu sangue na cruz e deu ainda mais, quando o sangue acabou, jorrou água do seu coração.

O que isto implica?

- Você é convidado a se esvaziar também. Esvaziar-se de suas misérias. Entregar tudo ao Senhor e arrepender-se diariamente dos seus pecados.

- Outro convite é ser pequeno. Para entrar no coração de Jesus temos que nos despir. “Aprenda que, quanto mais tu te retiras no teu nada, mais minha grandeza se abaixa pra te encontrar”. (palavras de Jesus a Margarida Maria)

b) Amor de cruz e da coroa de Espinhos:

- A cruz do Senhor é nossa salvação. Nela Jesus pagou pelos nossos pecados, rasgando a sentença que pesava sobre nós. Amor que se sacrifica.

- Jesus coroado de espinhos mostra que ele não é rei deste mundo, mas ele quer ser rei do seu coração.

O que isto implica?

- Você é convidado a acolher esta salvação na sua vida, e mais do que isso, a viver sob o Senhorio de Jesus.

c) Amor que é um fogo eterno:

- As Escrituras nos garantem que o amor de Deus por você é intenso e para sempre, nada poderá abalá-lo:

" Põe-me como um selo sobre o teu coração, como um selo sobre os teus braços; porque o amor é forte como a morte, a paixão é violenta como o cheol. Suas centelhas são centelhas de fogo, uma chama divina. As torrentes não poderiam extinguir o amor, nem os rios o poderiam submergir. Se alguém desse toda a riqueza de sua casa em troca do amor, só obteria desprezo". (Ct 8,6-7).

O que isto implica?

- A chama do coração de Jesus quer nos consumir. Devemos permitir ser consumido pelo fogo do amor de Deus, pelo fogo do próprio Espírito Santo.

Que o coração de Jesus nos ajude acolher o amor que Deus tem por nós, e a mais que isso, vivenciá-lo.

Silvia Paula Monteiro da Costa
Ministério Vaso Novo

QUE SACRIFÍCIO E MISERICÓRDIA DEUS NOS PEDE?

Para nos ajudar na vivência do Evangelho do último Domingo, segue meditação do Pe. Raniero Cantalamessa, membro da RCC e pregador do Papa:

X Domingo do Tempo Comum

Oséias 6, 3-6; Romanos 4, 18-25; Mateus 9, 9-13

Eu quero misericórdia e não sacrifício

Há algo comovente no Evangelho dominical. Mateus não relata algo que Jesus disse ou fez um dia a alguém, mas o que disse e fez pessoalmente por ele. É uma página autobiográfica, a história do encontro com Cristo que mudou sua vida. «Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: ‘Segue-me!’ Ele se levantou e seguiu Jesus.»

O episódio, contudo, não é citado nos Evangelhos pela importância pessoal que revestia para Mateus. O interesse se deve a tudo que segue ao momento do chamado. Mateus quis oferecer «um grande banquete em sua casa» para despedir-se de seus antigos companheiros de trabalho, «publicanos e pecadores». Não podia faltar a reação dos fariseus e a resposta de Jesus: «Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’». O que significa esta frase do profeta Oséias que Jesus repetiu? Acaso é inútil todo sacrifício e mortificação e que basta amar para que tudo esteja bem? Partindo desta passagem, pode-se chegar a rejeitar todo o aspecto ascético do cristianismo, como resíduo de uma mentalidade aflitiva ou maniqueísta, hoje superada.
Antes de tudo, deve-se observar uma profunda mudança de perspectiva na passagem de Oséias a Cristo. Em Oséias, a expressão se refere ao homem, ao que Deus quer dele. Deus quer do homem amor e conhecimento, não sacrifícios exteriores e holocaustos de animais. Nos lábios de Jesus, a expressão se refere a Deus. O amor de que se fala não é o que Deus exige do homem, mas o que dá ao homem. «Quero misericórdia e não sacrifício» significa: quero usar misericórdia, não condenar. Seu equivalente bíblico é a palavra que se lê em Ezequiel: «Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva». Deus não quer «sacrificar» a sua criatura, mas salvá-la.
Com esta observação, entende-se melhor também a expressão de Oséias. Deus não quer o sacrifício a «todo custo», como se gostasse de nos ver sofrer; não quer tampouco o sacrifício realizado para alegar direitos e méritos diante d’Ele, ou por um mal-entendido sentido do dever. Quer, ao contrário, o sacrifício que é requerido por seu amor e pela observância dos mandamentos. «Não se vive em amor sem dor», diz a Imitação de Cristo, e a própria experiência cotidiana confirma isso. Não há amor sem sacrifício. Neste sentido, Paulo nos exorta a fazer de toda nossa vida «um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus».

Sacrifício e misericórdia são ambos coisas boas, mas podem tornar-se prejudiciais se forem mal distribuídos. São coisas boas quando (como fez Cristo) se escolhe o sacrifício para si e a misericórdia para os demais; tornam-se más quando se faz o contrário e se escolhe a misericórdia para si e o sacrifício para os demais. Se formos indulgentes conosco mesmos e rigorosos com os demais, dispostos sempre a desculpar-nos e a ser impiedosos para julgar os demais, não temos nada que revisar a respeito de nossa conduta?

Não podemos concluir o comentário da vocação de Mateus sem dedicar um pensamento afetuoso e agradecido a este evangelista que nos acompanha, com seu Evangelho, no curso de todo este primeiro ano litúrgico. Obrigado, Mateus, chamado também de Levi. Sem ti, como seria pobre nosso conhecimento de Cristo!
[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri]

In: http://www.zenit.org/article-18663?l=portuguese

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A IGREJA DA EUCARISTIA


A pedidos, disponibilizamos a meditação elaborada pelo Ministério Vaso Novo para a Procissão de Corpus Christi 2008, baseada na Encíclica "Ecclesia de Eucharistia" do Papa João Paulo II:

1ª Meditação: A DIMENSÃO SACRIFICIAL DA SANTA MISSA

Leitor 1 - Meu irmão e minha irmã, ... Celebrar “Corpus Christi” é relembrar que a Eucaristia é a vida da Igreja. Com base na Encíclica do saudoso Papa João Paulo II, “Ecclesia de Eucharistia”, somos convidados a realizar um sincero exame de como temos nos relacionado com este Sacramento e especialmente de como temos participado das Celebrações Eucarísticas.
Leitor 2 - Jamais podemos esquecer que Cristo instituiu a Eucaristia na noite em que foi entregue para sofrer sua paixão e morte. Sem dúvida, este Sacramento está intimamente ligado ao Sacrifício do Senhor. A Eucaristia “Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos.”(EE, 11).
Leitor 3 – “A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto atual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ».” (EE, 12).
Leitor 4 – A Páscoa de Cristo inclui, juntamente com a paixão e morte, a sua ressurreição. Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia. (EE, 14).
Leitor 1 – Assim, não é correto minimizar o sentido da Santa Missa como sendo apenas “uma encontro fraterno ao redor da mesa”, um banquete em que os fiéis são alimentados pelo Corpo e o Sangue de nosso Senhor. “A eucaristia é memorial no sentido que torna presente e atual o sacrifício que Cristo ofereceu ao Pai, uma vez por todas, na cruz, em favor da humanidade. O caráter sacrificial da Eucaristia manifesta-se nas próprias palavras da instituição: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós» e «este cálice é a nova aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós» (Lc 22,19-20). O sacrifício da cruz e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício. Idênticos são a vítima e Aquele que oferece, diverso é só o modo de oferecer-se: cruento na cruz, incruento na Eucaristia.” (CCIC, 280).
Leitor 2 – Esta compreensão deve trazer um impacto transformador em nossas vidas! Anunciar a morte do Senhor « até que Ele venha » (1 Cor 11, 26) inclui, para os que participam na Eucaristia, o compromisso de transformarem a vida, de tal forma que esta se torne, de certo modo, toda « eucarística ». (EE, 20).
Leitor 3 – Ó Cristo, presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento do altar, ajuda-nos neste dia a participar do modo correto da Santa Missa, vendo-a não como um compromisso social ou obrigação religiosa, mas como verdadeira atualização do Teu santo sacrifício na cruz. Amém. Graças e louvores se dêem a todo o momento – Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
...
2ª Meditação: EUCARISTIA, SACRAMENTO DA UNIDADE

Leitor 1 – ... meditemos um pouco mais sobre o significado da Eucaristia em nossas vidas e na vida da Igreja.
Leitor 2 – “Do mistério pascal nasce a Igreja. Por isso mesmo a Eucaristia, que é o sacramento por excelência do mistério pascal, está colocada no centro da vida eclesial. Isto é visível desde as primeiras imagens da Igreja que nos dão os Atos dos Apóstolos: « Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão, e às orações » (2, 42). Na « fração do pão », é evocada a Eucaristia. Dois mil anos depois, continuamos a realizar aquela imagem primordial da Igreja.” (EE, 3).
Leitor 3 – A Igreja de Cristo é Una. Independentemente do estado de vida ou da Pastoral ou movimento que participamos, fazemos parte todos da única Igreja de Cristo, fundada pelo próprio Senhor sobre a pessoa de Pedro. Todos celebramos a Eucaristia, que é sinal da unidade da Igreja. Todos nos alimentamos do Corpo e do Sangue do Senhor. Neste minuto, no mundo inteiro, centenas de Missas estão sendo celebradas...
Leitor 4 - “Pela comunhão eucarística, a Igreja é consolidada igualmente na sua unidade de corpo de Cristo. A este efeito unificador que tem a participação no banquete eucarístico” (EE,23). “A ação conjunta e indivisível do Filho e do Espírito Santo, que está na origem da Igreja, tanto da sua constituição como da sua continuidade, opera na Eucaristia.” (EE,23). O dom de Cristo e do seu Espírito, que recebemos na comunhão eucarística, realiza plena e superabundantemente os anseios de unidade fraterna que vivem no coração humano e ao mesmo tempo eleva a experiência de fraternidade, que é a participação comum na mesma mesa eucarística, a níveis que estão muito acima da mera experiência dum banquete humano. (EE,24).
Leitor 1 – Na mesma noite em que instituiu a Eucaristia, Cristo rezou ao Pai por nós: “Pai santo, guarda-os em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós". (Jo 17,11). É desejo de Jesus que vivamos a unidade em sua Igreja.
Leitor 2 – Porém, muitas vezes pecamos contra este desejo de Jesus. Ao invés de sermos construtores da unidade da Igreja, acabamos por ser causadores de divisões com críticas destrutivas, fofocas e omissões. A Eucaristia que comungamos exige que tenhamos outra postura.
Leitor 3 – Ó Cristo, verdadeiramente presente neste Santo Sacramento, sois uno e Trino com o Pai e o Espírito Santo. Olhai para a nossa comunidade de fé. Ajuda-nos a vivenciar a unidade entre as mais diversas expressões pastorais presentes em nossa Paróquia. Que caiam por terra tudo o que nos divide e que ao redor da mesa do altar possamos celebrar este dom da unidade que desejas para nós, unidade emanada da mesmo pão que comungamos. Amém. Glórias e louvores se dêem a todo momento – Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
...
3ª Meditação: A ADORAÇÃO AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Leitor 1 - Somos convidados a interromper mais uma vez ... meditar sobre a Santa Eucaristia e seu significado em nossas vidas.
Leitor 2 – Jesus Cristo está presente na Eucaristia de um modo único e incomparável. Está presente de modo verdadeiro, real, substancial: com o seu Corpo e o seu Sangue, com a sua Alma e a sua Divindade. Nela está presente em modo sacramental, isto é, sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho, Cristo completo: Deus e homem. (CCIC, 282).
Leitor 3: Deste modo, devemos adorar à Santa Eucaristia, quer durante a celebração eucarística quer fora dela. A Igreja conserva com a maior diligência as Hóstias consagradas, leva-as aos enfermos e às pessoas impossibilitadas de participar na Santa Missa, apresenta-as à solene adoração dos fiéis, leva-as em procissão e convida à visita freqüente e à adoração do Santíssimo Sacramento conservado no Sacrário. (CCIC, 286).
Leitor 3 – “O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a Missa – presença essa que perdura enquanto subsistirem as espécies do pão do vinho – resulta da celebração da Eucaristia e destina-se à comunhão, sacramental e espiritual.” (EE, 25).
Leitor 4 – Somos chamados a visitar a Jesus Eucarístico e adorá-lo no Sacrário. Não é à toa que São João Bosco, fundador da congregação salesiana, ensinava: “Quereis que o Senhor vos dê muitas graças? Visitai-o muitas vezes. Quereis que Ele vos dê poucas graças? Visitai-o poucas vezes. Quereis que o demônio vos assalte? Visitai raramente a Jesus Sacramentado. Quereis que o demônio fuja de vós? Visitai a Jesus muitas vezes. Quereis vencer o demônio? Refugiai-vos sempre aos pés de Jesus. Quereis ser vencidos? Deixai de visitar a Jesus Meu caros, a visita é um meio muito necessário para vencer o demônio. Portanto, ide freqüentemente visitar Jesus, e o demônio não terá vitória contra vós."
Leitor 1 – O Magistério da Igreja sempre recomendou a adoração ao Santíssimo Sacramento. Sobre ela, o saudoso Papa João Paulo II exclamou: “É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração. Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela « arte da oração », como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio!! (EE, 25).
Leitor 2 – Quantas vezes não entramos nas Igrejas e não nos ajoelhamos durante alguns poucos minutos diante do Sacrário? Quantas vezes esquecemos da presença real de Cristo e agimos nas Igrejas como se Ele ali não estivesse verdadeiramente presente?
Leitor 3 – Ó Jesus Sacramentado, queremos pedir perdão pelas vezes que negligenciamos a Tua Presença Real no Santíssimo Sacramento e O deixamos sozinho no Sacrário. Queremos um coração adorador, que reconhece que apenas o Senhor é o Deus de nossas vidas. Livra-nos de toda e qualquer idolatria e inflama em nós o amor à Santa Eucaristia. Amém. Graças e louvores se dêem a todo o momento – Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
...
4ª Meditação: O ZÊLO COM A CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

Leitor 1 – ... Meu irmão e minha irmã continuemos nossa meditação sobre a Santa Eucaristia.
Leitor 2 – Sua Santidade o Papa João Paulo II disse: “sinto o dever de fazer um veemente apelo para que as normas litúrgicas sejam observadas, com grande fidelidade, na celebração eucarística.” (EE, 52). E concluiu: “A ninguém é permitido aviltar este mistério que está confiado às nossas mãos: é demasiado grande para que alguém possa permitir-se de tratá-lo a seu livre arbítrio, não respeitando o seu caráter sagrado nem a sua dimensão universal.” (EE, 52).
Leitor 3 - Temos de celebrar a Eucaristia com o zelo que esta celebração existe. Todos os envolvidos na celebração, desde o Presidente, os ministros litúrgicos e a assembléia, não podem perder de vista o Mistério que se está celebrando. Movidos por este zelo, todos somos chamados a conhecer mais a Sagrada Liturgia, especialmente aqueles que nela trabalham (músicos, ministros extraordinários da Eucaristia, leitores, acólitos etc.).
Leitor 4 – Os demais fiéis também precisam observar o decoro exigido para a participação da Santa Missa. Muitas vezes, nos vestimos para ir à Igreja como se fôssemos à praia... Outras vezes, nos comportamos mal conversando e fazendo outras coisas durante a Missa... Pode ser também que sequer nos apresentamos corretamente para a comunhão, recebendo “de qualquer jeito” a Eucaristia.
Leitor 1 – A Eucaristia é o maior tesouro da Igreja e sua celebração não pode ser aviltada! Não são toleráveis os abusos litúrgicos, o tratamento desrespeitoso, o desleixo ou outros comportamentos que atentem contra a Sagrada Liturgia da Igreja. E o decoro e o zelo exigidos devem começar em cada um de nós.
Leitor 2 – Somos convidamos a repensar, ainda, o modo como participamos da Santa Missa. Às vezes apressados, às vezes distraídos, às vezes distantes do Mistério Eucarístico que nela se celebra. Lembremos que ninguém “assiste” Missa. Os fiéis são chamados a participarem verdadeiramente da celebração e a se prepararem devidamente para ela. São Paulo já nos exortava: "Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação". (1Cor 11,29)
Leitor 3 – Ó Cristo, presente verdadeiramente na Eucaristia, ajuda-nos a amar de tal modo este Santo Sacramento, de modo a arder nosso coração de zelo pelas Celebrações Eucarísticas que participamos. Queremos guardar o decoro necessário na participação da Santa Missa e queremos nos preparar dignamente para receber a comunhão eucarística através da confissão sacramental, se necessária. Abençoa os nossos sacerdotes e todos os ministros leigos envolvidos na nossa Paróquia com a Pastoral Litúrgica, animando-os a sempre aprimorar seus ministérios. Amém. Glórias e Louvores se dêem a todo o momento - Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento.
...


5ª Meditação: APRENDENDO DE MARIA, MULHER EUCARÍSTICA.


Leitor 1 – Uma última vez, vamos parar de andar. Meu irmão e minha irmã continuemos nossa meditação sobre o Santo Sacramento do altar.
Leitor 2 – “Se quisermos redescobrir em toda a sua riqueza a relação íntima entre a Igreja e a Eucaristia, não podemos esquecer Maria, Mãe e modelo da Igreja”. Não foi à toa que o Papa João Paulo II inseriu entre os mistérios da luz do Santo Rosário, a instituição da Eucaristia. Nas Palavras deste saudoso Papa: “ Maria pode guiar-nos para o Santíssimo Sacramento porque tem uma profunda ligação com ele.” (EE, 53).
Leitor 3 – Os Evangelhos que narram a instituição da Eucaristia na noite de Quinta-feira Santa, não falam de Maria. “Mas sabe-se que Ela estava presente no meio dos Apóstolos, quando, « unidos pelo mesmo sentimento, se entregavam assiduamente à oração » (At 1, 14), na primeira comunidade que se reuniu depois da Ascensão à espera do Pentecostes. E não podia certamente deixar de estar presente, nas celebrações eucarísticas, no meio dos fiéis da primeira geração cristã, que eram assíduos à « fração do pão » (At 2, 42). (EE, 53).
Leitor 4 – “Para além da sua participação no banquete eucarístico, pode-se delinear a relação de Maria com a Eucaristia indiretamente a partir da sua atitude interior. Maria é mulher « eucarística » na totalidade da sua vida. A Igreja, vendo em Maria o seu modelo, é chamada a imitá-La também na sua relação com este mistério santíssimo.” (EE, 53).
Leitor 1 – Maria praticou a sua fé eucarística ainda antes de ser instituída a Eucaristia, quando ofereceu o seu ventre virginal para a encarnação do Verbo de Deus. Maria, na anunciação, concebeu o Filho divino também na realidade física do corpo e do sangue, em certa medida antecipando n'Ela o que se realiza sacramentalmente em cada crente quando recebe, no sinal do pão e do vinho, o corpo e o sangue do Senhor. Existe, pois, uma profunda analogia entre o sim pronunciado por Maria, em resposta às palavras do Anjo, e o amém que cada fiel pronuncia quando recebe o corpo do Senhor. (EE, 55).
Leitor 2 – “« Feliz d'Aquela que acreditou » (Lc 1, 45): Maria antecipou também, no mistério da encarnação, a fé eucarística da Igreja. E, na visitação, quando leva no seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, Se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria. E o olhar extasiado de Maria, quando contemplava o rosto de Cristo recém-nascido e O estreitava nos seus braços, não é porventura o modelo inatingível de amor a que se devem inspirar todas as nossas comunhões eucarísticas?” (EE, 55). Maria também viveu esta experiência eucarística todos os dias de sua vida, até o Calvário.
Leitor 3 – Senhor Jesus, presente verdadeiramente no Santíssimo Sacramento. Amém. Queremos amá-lo como Sua Mãe o amou. Ajuda-nos a imitar nossa Mãe Santíssima, no seu sim continuado a Deus e no desejo sincero de fazer Sua Vontade. Sabemos que da mesma maneira que o Senhor se encarnou no seio de Maria, estás presente na comunhão que recebemos. Dá-nos jamais esquecer desta verdade! Amém. Graças e louvores se dêem a todo o momento – Ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento – Rogai por nós.

Bibliografia:
João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia (in http://www.vatican.va/edocs/POR0245/_INDEX.HTM);
Compêndio do Catecismo da Igreja Católica

sexta-feira, 25 de abril de 2008

OUTROS "CRISTOS" E OUTROS "PARÁCLITOS"

Publicamos o comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, OFM Cap. – pregador da Casa Pontifícia – à Liturgia da Palavra do próximo domingo, VI de Páscoa.

VI Domingo de Páscoa

Atos 8, 5-8.14-17; 1 Pedro 3,15-18; João 14, 15-21

Ser paráclitos

No Evangelho Jesus fala aos discípulos sobre o Espírito usando o termo «Paráclito», que significa consolador, ou defensor, ou as duas coisas. No Antigo Testamento, Deus é o grande consolador de seu povo. Este «Deus da consolação» (Rm 15, 4) se «encarnou» em Jesus Cristo, que se define de fato como o primeiro consolador ou Paráclito (Jo 14, 15). O Espírito Santo, sendo aquele que continua a obra de Cristo e que leva a cumprimento as obras comuns da Trindade, não podia deixar de definir-se, também Ele, Consolador, «o Consolador que estará convosco para sempre», como Jesus o define. A Igreja inteira, depois da Páscoa, teve uma experiência viva e forte do Espírito como consolador, defensor, aliado, nas dificuldades externas e internas, nas perseguições, na vida de cada dia. Nos Atos dos Apóstolos lemos: «A Igreja se edificava e progredia no temor do Senhor e estava cheia da consolação (paráclesis!) do Espírito Santo» (9, 31).

Devemos agora tirar disso uma conseqüência prática para a vida. Temos de nos converter em paráclitos! Ainda que é certo que o cristão deve ser «outro Cristo», é igualmente certo que deve ser «outro Paráclito». O Espírito Santo não só nos consola, mas nos faz capazes de consolar os demais. A consolação verdadeira vem de Deus, que é o «Pai de toda consolação». Vem sobre quem está na aflição; mas não se detém aí; seu objetivo último se alcança quando quem experimentou a consolação se serve dela para consolar por sua vez o próximo, com a mesma consolação com a qual ele foi consolado por Deus. Não se conforma em repetir estéreis palavras de circunstância que deixam as coisas iguais («Ânimo, não te desalentes; verás que tudo sai bem!»), mas transmite o autêntico «consolo que dão as Escrituras», capaz de «manter viva nossa esperança» (Rm 15, 4). Assim se explicam os milagres que uma simples palavra ou um gesto, em clima de oração, são capazes de fazer à cabeceira de um enfermo. É Deus quem está consolando essa pessoa através de você!

Em certo sentido, o Espírito Santo precisa de nós para ser Paráclito. Ele quer consolar, defender, exortar; mas não tem boca, mãos, olhos para «dar corpo» a seu consolo. Ou melhor, tem nossas mãos, nossosolhos, nossa boca. A frase do Apóstolo aos cristãos de Tessalônica: «Confortai-vos mutuamente» (1Ts 5, 11), literalmente se deveria traduzir: «sede paráclitos uns dos outros». Se a consolação que recebemos do Espírito não passa de nós aos demais, se queremos retê-la de forma egoísta para nós, logo se corrompe. Daí o porquê de uma bela oração atribuída a São Francisco de Assis, que diz: «Que não busque tanto ser consolado como consolar, ser compreendido como compreender, ser amado como amar...».

À luz do que disse, não é difícil descobrir que existem hoje, ao nosso redor, paráclitos. São aqueles que se inclinam sobre os enfermos terminais, sobre os enfermos de aids, quem se preocupa em aliviar a solidão dos anciãos, os voluntários que dedicam seu tempo às visitas nos hospitais. Os que se dedicam às crianças vítimas de abuso de todo tipo, dentro e fora de casa. Terminamos esta reflexão como os primeiros versos da Seqüência de Pentecostes, na qual o Espírito Santo é invocado como o «consolador supremo»:

«Vinde, ó Pai dos pobres, vinde, autor de todos os dons, vinde, Luz dos corações. Consolador supremo, doce hóspede da alma, suave refrigério. Repouso no trabalho, brandura no ardor, consolo no pranto».

Fonte: http://www.zenit.org/article-18241?l=portuguese

segunda-feira, 24 de março de 2008

A EXPERIÊNCIA DA RESSURREIÇÃO



Vivemos o Tempo Pascal, marcado pela alegria da Ressurreição de Cristo, de sua vitória sobre a morte. A luz de Cristo, anunciada na Vigília Pascal, afasta definitivamente as trevas do pecado. Sim, Cristo Vive e é vencedor! Mas afinal, o que Ele venceu?

Santo Agostinho de Hipona nos ajuda a entrar no âmago desta questão: “Vamos investigar a origem da morte. O pai da morte é o pecado. Se nunca houvesse pecado ninguém morreria. O primeiro homem recebeu a lei de Deus, isto é, um preceito de Deus, com a condição de que se o observasse viveria e se o violasse morreria. Não crendo que morreria, fez o que o faria morrer; e verificou a verdade do que dissera quem lhe dera a lei. Desde então, a morte. Desde então, ainda, a segunda morte, após a primeira, isto é, após a morte temporal a eterna morte. Sujeito a essa condição de morte, a essas leis do inferno, nasce todo homem; mas por causa desse mesmo homem, Deus se fez homem, para que não perecesse o homem. Não veio, pois, ligado às leis da morte, e por isso diz o Salmo: "Livre entre os mortos" [Sl 87].” 1

Na Ressurreição, Cristo venceu a morte, o pecado, a desobediência, e o pai de todos os males, a serpente original, que por inveja introduziu a morte entre as criaturas.2

Certamente por isso, Satanás ainda se esmera em propagar, ainda que sutilmente, uma cultura de morte, seja física (aborto, eutanásia etc.) ou seja moral (liberdade sexual, injustiça social, agressões à dignidade humana etc.), todas voltadas indubitavelmente à morte espiritual.

Se examinarmos as Sagradas Escrituras, vamos verificar que a palavra “morte” é citada 484 vezes. Realmente é um número considerável. Em contrapartida, a palavra “vida” aparece nas sagradas escrituras 1.066 vezes, mais do que o dobro de vezes da palavra “morte”3.

Se nos ativermos apenas à relação numérica desta constatação, aliando-nos ao fato de que toda a Revelação está voltada à Pessoa de Jesus Cristo, poderemos concluir que a Revelação é essencialmente portadora de um anúncio de vida, e vida nova conquistada com a vitória de Cristo sobre a morte.

Sim, a obediência de Jesus transformou a morte em bênção!4

O Magistério da Igreja é claro em afirmar: “Pela sua morte, Jesus nos liberta do pecado, pela Sua Ressurreição ele nos abre as portas de uma vida nova”.5

Assim, é fácil concluir que se não quisermos permanecer na morte, precisamos nos permitir uma experiência com Cristo Ressuscitado. E uma experiência diária.

Em certas questões a experiência é fundamental. Não é sem motivo que Bento XVI na Encíclica Deus Caritas Est incentiva a experiência do amor de Deus e do amor fraterno. Ele nos fala que podemos experimentar ser amados por Deus e que o caminho para o amor passa pelo reconhecimento do Deus vivo: “O encontro com as manifestações visíveis do amor de Deus pode suscitar em nós o sentimento da alegria, que nasce da experiência de ser amados. Tal encontro, porém, chama em causa também a nossa vontade e o nosso intelecto. O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d'Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor.” (Deus Caristas Est, 17) 6

A Bíblia nos relata a experiência de algumas pessoas com Jesus após sua Ressurreição, das quais vamos citar apenas duas; a primeira delas, Maria Madalena e a última, Saulo de Tarso.

Maria Madalena foi o primeiro ser humano a quem Jesus apareceu após a Ressurreição. Foi dela que Jesus expulsou sete demônios, e era uma das mulheres que auxiliavam Jesus e os discípulos enquanto pregavam. Ela e outras mulheres seguiram Jesus desde a Galiléia quando ele foi para Jerusalém no final do seu ministério, tendo também caminhando com ele a subida do calvário. Neste monte, ao pé da cruz de Jesus, teve seu seguimento interrompido para ser retomado no dia da ressurreição, pois havia permanecido ao lado da sepultura observando onde depositariam o corpo do Senhor. 7

O Evangelista São João8 nos narra que no dia da Ressurreição Maria Madalena foi ao sepulcro de manhã bem cedo e viu que a pedra que fechava a porta do túmulo havia sido removida. Depois de ir correndo dizer a Pedro e ao discípulo amado que haviam tirado o corpo de Jesus do Sepulcro, e depois dos dois terem constatado que o sepulcro estava vazio, Maria permaneceu do lado de fora, chorando.

Olhou para dentro do sepulcro e viu dois anjos que lhes perguntaram por que chorava. Ela lhes falou que chorava porque haviam levado o corpo de Jesus, e ela não sabia onde estava. São João prossegue: “Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar. Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre).” (Cf. Jo 20,14-16).

Costumava-se chamar esta mulher de Maria Madalena porque ela era da cidade de Magdala. Usa-se dizer que Maria Madalena teria sido uma prostituta, e não é difícil concluir que esta mulher poderia sentir-se inferior aos demais discípulos, tendo em vista sua vida antes de experimentar o amor e a salvação de Jesus. Ela já caminhava há muito com o Senhor, mas ouvir a todos chamarem-na de Madalena talvez soasse para ela como uma seta constante apontando de onde viera, o que fazia antes...

Ao chamá-la pelo nome, Jesus venceu a morte da auto-imagem de Maria. Para Jesus, ela era Maria, só Maria; nada de Madalena. É assim que Jesus Vivo lhe vê. Ele vê você, só você... E ao chamar Jesus de “Raboni”, Maria estava em verdade sendo empossada no seu devido lugar, lugar de discípula, pois se alguém chama outrem de mestre é porque tem intenção se seguir os seus ensinamentos.

Assim, mesmo que se confirme que Maria Madalena houvesse sido prostituta, todos dela se lembrarão como sendo a primeira discípula a se encontrar com Jesus Ressuscitado. E mais: Maria não reteve para si sua experiência, foi contar a todos que Jesus está vivo e que havia se encontrado com Ele...

O Ressuscitado também apareceu a Saulo de Tarso, o “último dos apóstolos”, cuja fama de perseguidor dos cristãos era tão sólida quanto o seu ódio pelo Cristo e por aqueles que faziam parte de sua Igreja nascente.

Sua última missão de morte era ir até Damasco e ali dizimar qualquer um que se dissesse cristão, e impedir o anúncio da doutrina deste “tal Jesus Nazareno”. Saulo era temido pelos cristãos, e não temia ninguém... Aquele homem poderoso só não contava com uma coisa: que o próprio Cristo viesse encontrá-lo e lhe perguntasse: “Saulo, Saulo porque me persegues?” (Cf. At 9, 4).

O relato da conversão de Paulo9 é uma das páginas mais belas dos Atos dos Apóstolos, pois nos faz pensar no poder da ressurreição de Jesus que é capaz de fazer um homem poderoso como Saulo cair com o rosto em terra, arrancar-lhe as escamas da velha serpente que cegou Adão e Eva, derrubar-lhe a altivez das idéias, dos conceitos e preconceitos e dar-lhe vida nova.

Em Saulo o Cristo vivo venceu a morte causada pelo ódio, pela discriminação, pela imposição do que entendia ser justo mediante força e violência; enfim, causada pelo orgulho e pelo mau uso do poder.

O Ressuscitado transformou Saulo em Paulo (que significa “pequeno”). Aquele que deseja ser grande, embebido no poder da Ressurreição do Senhor se vê pequeno, se autodenomina o menor dos apóstolos10 , mas torna-se responsável pela propagação da fé em Cristo entre os não judeus.

Todos conhecemos – experimentamos – os frutos do seu ministério que foi adubado com o sangue do seu martírio que derramou em prova do seu amor por Cristo.

São Paulo registra que o Ressuscitado apareceu de uma vez a mais de quinhentos irmãos, além de aparecer aos Apóstolos11, e se pudéssemos entrevistar cada uma destas pessoas elas nos relatariam minuciosamente qual seria a “morte” que Cristo Vivo venceu em suas vidas.

Não é possível se encontrar com Jesus Vivo sem ter em si conseqüências... Não é possível experimentar o Ressuscitado sem permitir que ele vença o que é morte...

Eu também encontrei o Ressuscitado. Lembro-me bem da primeira vez, quando e onde... Lembro-me bem das outras vezes, de todas... Poderia alongar este texto narrando estas experiências e relatando quais foram as mortes que Ele venceu em mim. Mas não foi só em mim que ele venceu muitas mortes. Inúmeras pessoas que conheço também podem relatar vitórias da ressurreição do Senhor sobre áreas pessoais entregues a pecados como desobediência, dúvida, incredulidade, rebeldia contra Deus, entre outros. Quantas mulheres e homens “velhos” temos visto se renovando a partir da experiência da ressurreição de Cristo. São as madalenas e os saulos de nossas famílias, de nossas comunidades, de nossos ambientes de estudo, trabalho e lazer.

E então... O que você está esperando para também encontrar Cristo Ressuscitado? Ah! Não sabe o caminho?! É mais curto do que você imagina. É tão fácil que poderá ser percorrido de olhos fechados. Vai de sua mente ao seu coração. Feche os olhos para não se distrair com o mundo e ore falando sinceramente para Jesus que deseja encontrá-lo. Pronto! Terminou. É simples mesmo. Mais do que isso é atirar palavras ao vento. Diga-lhe o que deseja e espere. O resto é com ele. Aproveite este Tempo de Páscoa. Ele é propício para um encontro com Jesus. Coloque-se como Maria Madalena, São Paulo e tantos outros na presença do Ressuscitado, certo de que Ele Vive e deseja vencer tudo o que ainda é morte em sua vida: talvez uma falta de perdão, talvez o desânimo no seu Ministério, talvez a sensação de uma vida de oração morna, quem sabe uma solidão dolorosa, quem um ímpeto de findar a própria vida...

Permitindo que esta experiência se renove diariamente, você olhará para a sua vida e perguntará: “Onde está ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão” (Cf. Os 13,14)? Enfim, sua vida será uma vitória de Cristo e você será um vencedor com Ele. Aliás, será mais do que um vencedor...12

Silvia Paula Monteiro da Costa
Ministério "Vaso Novo"

Notas:

1 - in Antologia dos Santos Padres, Sermão da Ressurreição do Senhor cf. Marcos.
2 - Cf. Sb 2,24.
3 - Cf. Bíblia Católica Digital “Boa Nova”.
4 - Cf. Catecismo da Igreja Católica (Catec.) 1009 e Rm 5,19-21.
5 - Cf. Catec. 654.
6 - In www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/encyclicals/documents/
hf_ben-xvi_enc_20051225_deus-caritas-est_po.html, acessado em 02/4/2006.
7 - Cf. Lc 8,1-3; Mt 27,55-56; Mc 15,40-41.45-47.
8 - Cf. Jo 20-1-18.
9 - Cf. At 9, 1-9.
10 - Cf. I Cor 15,9.
11 - Cf. I Cor 15, 6-7.
12 - Cf. Rm 8,37

Originalmente publicado no Site da RCC-Brasil: http://www.rccbrasil.org.br/formac/biblioteca/show_textos.php?link=bibliot&aba=formac&grupo=artigos&nome=txt_000136.php&titulo=A%20Experiência%20da%20Ressurreição

sexta-feira, 7 de março de 2008

A SEMANA SANTA, REVELAÇÃO DO CRISTO OBEDIENTE E VENCEDOR




A Semana Santa se aproxima. E o que vem à sue mente? Um feriadão regado a chocolate?

A SEMANA SANTA É A SEMANA MAIS IMPORTANTE DA NOSSA FÉ, POIS NELA CELEBRAMOS DE FORMA SOLENE A MORTE E A RESSURREIÇÃO DE NOSSO SENHOR, ÁPICE DA NOSSA FÉ.

Tem início no Domingo de Ramos, onde rememoramos a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém sobre um burrinho, aclamado com ramos de oliveira com gritos Hosana ao Filho de Davi...

Aqui vale lembrar que o mesmo povo que gritava Hosana, pouquíssimo tempo depois gritava: crucifica-o...

Peço a você que se permita ir além dos ramos, além dos Hosanas. Peço para que entremos juntos no PORQUÊ de Jesus ter entrado em Jerusalém desta forma.

A razão é apenas uma: Ele subiu a Jerusalém para morrer por amor a você!

III-Fl 2, 6-11:

v.6-7 “ Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens.”

Estes versículos nos mostram que:

a) O amor de Jesus por você é um amor que levou o Senhor a diminuir-se cada vez mais e mais:
- Por amor a você Deus se fez homem nascendo num abrigo para animais, colocado no local dos bichos comerem;
- Sendo Deus, passou por todas as necessidades humanas normais: fome, frio, dor...
- Por amor a você foi humilhado e sofreu os mais atrozes sofrimentos;
- Por amor a você se entregou na cruz;
- Por amor a você desceu à mansão dos mortos;
- Por amor a você permanece num pedaço de pão.

b) A palavra de Deus usa-se do verbo aniquilar = reduzir a nada, anular. Destruir, matar, abater física e moralmente, deprimir, prostrar, abater, humilhar.
- Foi isto que Jesus fez consigo mesmo somente por amor a você
- Esta verdade deve estar gravada nos nossos corações: no seu que está aqui pela primeira vez, no seu que já perdeu as esperanças, no seu que está nesta caminhada há anos, mas ainda diz que as coisas estão ... indo, como Deus quer...

c) Vivemos num mundo que está sob o jugo do maligno. Satanás era um anjo de Deus, precipitado junto com 1/3 dos anjos por causa de seu desejo de querer ser igual a Deus... A cultura de satanás e a cultura da auto-suficiência e do egoísmo.

v. 8 “E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. “

Aqui as Escrituras nos revelam que:

a) Sabemos que o pecado entrou no mundo pela desobediência do primeiro homem, Adão. Falar um pouco do pecado original.
- A desobediência só gera estragos e de for desobediência a Deus, só gera infelicidade...

Tenho certeza de que se você investigasse sua vida, encontraria conseqüências graves de suas atitudes de desobediência a Deus. O pecado de Adão por sua vez trouxe uma conseqüência gravíssima: retirou a humanidade da presença de Deus.

O Pai queria nos trazer de volta para perto de si, e era necessário que a obediência de seu Filho pagasse pela desobediência de Adão. Jesus é o novo Adão.

b) A morte de cruz era uma morte vergonhosa e dolorosa. Morria-se de asfixia e de hemorragia. O crucificado era exposto nu na cruz, para humilhá-lo. Jesus não apenas morreu por amor a você, para apagar as conseqüências do pecado, mas morreu da morte mais sofrível e mais vergonhosa.

c) Há um fato histórico relevante e interessante: quando o povo indígena foi evangelizado, o que determinou sua conversão foi constatar que Deus havia morrido por eles... Na sua cultura, eram eles que tinham de sacrificar para os deuses deles... Ficaram impressionados com Deus que se sacrifica.

v. 9 “Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos.”

Daí entendemos:

a) Jesus foi exaltado porque foi obediente.

b) Para o povo antigo, o nome tinha o significado da pessoa, significava a essência da pessoa. Dizer que todos se dobrem ao Nome de Jesus, significa que todos se dobrem a Jesus!

c) Ele tem autoridade sobre tudo o que há. Tem autoridade sobre Satanás e seus anjos... Não há nada em sua vida que não possa ser mudado por Jesus, se for vontade de Deus.

v.11 “E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.”

Então:

a) Na Bíblia, o termo Senhor = Deus. Jesus é Deus, verdadeiro homem, mas verdadeiro Deus...

b) Dizer que alguém é senhor significa dar aquela pessoa autoridade para mandar em tudo na sua vida.

Pe. Cantalamessa, pregador da casa pontifícia certa vez falou: não podemos abraçar o oceano, mas podemos nos deixar abraçar por ele. Não podemos abraçar o mistério da paixão do senhor, compreender os modos e as razões de Deus, mas podemos nos deixar abraçar por ela.

Aproveitemos esta última semana da quaresma para nos preparar para viver a Semana Santa.

Silvia Paula Monteiro da Costa
Ministério Vaso Novo

terça-feira, 18 de setembro de 2007

A OVELHA QUE SE PERDEU


Se há uma verdade que procuramos imprimir sempre em nossas canções é a revelação de Deus Misericórdia.

O Evangelho do último domingo revela esta face misericordiosa de Deus:


“1. Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. 2. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! 3. Então lhes propôs a seguinte parábola: 4. Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? 5. E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, 6. e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido. 7. Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” (Lc 15,1-7).

Breve contexto histórico - A sociedade da época de Jesus era impiedosa com aquelas pessoas consideradas “pecadoras”. Pessoas como os fariseus e os escribas não permitiam qualquer contato com prostitutas e cobradores de impostos e outras pessoas tidas como “pecadoras”. Até mudavam de calçada para não se aproximarem deles.

Esta é a razão da murmuração dos fariseus e dos escribas que criticavam a atitude de Jesus em aproximar-se destas pessoas tidas como de “má vida”.

Deus não age como homem - Jesus passa então a perguntar quem deles, sendo pastor, uma vez que tendo 100 ovelhas, perceba que uma se extravie, não deixa 99 no aprisco e sai para procurar aquela única que se perdeu? E mais, ainda faz uma festa para celebrar se a reencontra?

A resposta que passou pela cabeça daquelas pessoas certamente foi: EU JAMAIS FARIA ESSA LOUCURA... DEIXAR 99 OVELHAS E IR BUSCAR UMA? FAZER FESTA POR CAUSA DE UMA OVELHA? O GASTO DA FESTA SERIA MUITO SUPERIOR AO PREÇO DA OVELHA...

Mas a lógica de Deus é diferente da lógica humana. Por que a lógica de Deus é a lógica do amor pessoal, incondicional, fiel e eterno que Ele tem para você:

“Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não Ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos.” ( Is. 49.15-16)

Jesus apresentou estas “reações desproporcionais” do pastor, justamente para dizer que você é PRECIOSO para ele.

O pastor é Jesus, que amando cada uma de suas ovelhas, não mediu esforços para resgatá-las:

"Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas". (Jo 10,11)

Você é tão caro para Deus que Ele o resgatou a preço do sangue do Filho:

"Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus". (Cl 1,19-20)

Talvez você se questione: E as outras ovelhas?

É óbvio que o pastor as deixou na segurança do aprisco, alimentadas e seguras, pois cada uma destas ovelhas possuía especial segurança para ele.

Mas ao sair para procurar a ovelha perdida, o pastor demonstrou que era única. Ele não se contentou em ter no seu aprisco a grande maioria das ovelhas. Grande maioria não é a totalidade!!! Jesus quer a totalidade das ovelhas!!!

Certamente, o pastor pensou em que situação poderia estar aquela ovelha: ferida, cansada, faminta, com frio e com sede e movido de grande misericórdia, saiu para regata-la.

Entendendo a ovelha – Talvez passe pela sua cabeça, quais as circunstâncias que a ovelha “se perdeu”.

Principalmente se você já caminha com Jesus é comum relacionarmos esta parábola com aqueles irmãos e irmãs que “saíram” do aprisco do pastor, a Igreja. Muitas vezes os criticamos, sem saber ao certo quais as razões que os mantém longe.

Meu irmão, não foi à toa que Jesus falou em ovelhas e não em bois ou cabras ou outro animal, pois as ovelhas possuem características especiais: Não possuem senso de direção, precisam seguir o pastor para saber onde está a comida, a água, o aprisco – DAÍ A OVELHA QUE SE PERDER NÃO CONSEGUIR VOLTAR SOZINHA, AINDA QUE ELA QUEIRA!!!

Além disso, como saber se a ovelha não fugiu, mas foi roubada por um ladrão e não consegue mais voltar para o rebanho?

SE PENSARMOS ASSIM VAMOS SER COMO OS FARISEUS E OS ESCRIBAS!

Como o Bom Pastor se relaciona com suas ovelhas? COM MISERICÓRDIA.

O então Cardeal Ratzinger, hoje Sua Santidade o Papa Bento XVI, na homilia da Missa pro eligendo Papa de 19/03/05 afirmou: “Jesus Cristo é a misericórdia divina em pessoa: encontrar Cristo significa encontrar a misericórdia de Deus.”

Esta palavra misericórdia tem um especial significado: Vem do latim – Miser = miséria, pobreza e Cordis = coração. Significa pegar em seu coração a miséria do outro.

O bom pastor é movido pela MISERICÓRDIA. Por causa destas características das ovelhas, o pastor tem de fazer praticamente tudo pelas ovelhas:

- Tem de achar pasto e água e levar as ovelhas para comer e beber = Jesus nos alimenta (Eucaristia) e nos dá de beber (Espírito Santo);

- Tem de observar se alguma ovelha está sendo perturbada por algum inseto, pois ela é incapaz de se livrar sozinha do inseto e pode desesperar-se causando um estouro no rebanho = Só com a ajuda de Jesus poderemos vencer as tentações.

- Tem de cuidar das feridas das ovelhas = Ele cura nossos corações.

- Tem de evitar que sejam atacadas pelos lobos e levadas pelos ladrões, sendo que à noite, deita-se na porta do aprisco, para que o lobo não entre e se tentar atacar, ele o combate primeiro = Jesus é fiel e nos guarda verdadeiramente.

- Tem de ficar atento para que as ovelhas não se deitem sobre os estômagos e sufoquem.

- Às vezes, tem que quebrar a perna das ovelhas rebeldes e fujonas para que fiquem junto com as outras ovelhas.

Certa vez, um pastor tinha uma ovelha que não lhe obedecia: sempre fugia e não queria se reunir com as outras ovelhas. O pastor fez de tudo para mudar este comportamento: colocou-a num pasto maior etc., mas não adiantou. Para preservar a ovelha e o rebanho, ele teve de fazer algo que não gostaria: teve que quebrar uma das pernas da ovelha. E depois que ele quebrou a perna dela, ela nunca mais saiu do pasto e nem se afastou das outras ovelhas. A PARTIR DESTE DIA, O PASTOR PASSOU A LEVAR A OVELHA NO COLO...

Muitas vezes Deus permite nosso sofrimento não porque não nos ama, mas para nos podar, nos provar, nos santificar.

Na vida de nosso ministério, não são poucos os testemunhos de “pernas quebradas”, situações que Deus permite em nossas vidas para que sejamos santificados e jamais pensemos em abandonar o aprisco do Senhor.

Jamais esqueça: Você é prioridade para Deus. Ele o ama. Ele o carrega no colo. Se você sente-se ovelha que se perdeu, você só precisa abandonar-se e permitir que o pastor lhe coloque no colo, lhe traga de volta...

Silvia Paula Monteiro da Costa
Ministério Vaso Novo